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CONSERVAÇÃO
Qualquer plano de conservação do Lince Ibérico deverá
considerar a atenuação das principais causas de regressão,
já referidas (destruição do habitat, regressão das
populações de coelho-bravo, mortalidade por causas humanas, e isolamento
das populações), e ser incluído numa estratégia vasta de
conservação dos ecossistemas mediterrânicos, baseada na
manutenção dos habitats naturais, o dos usos tradicionais do solo. Se
desejarmos contrariar a tendência regressiva das populações de
Lince, torna-se importannte aprofundar o conhecimento dessasd populações
e implementar as seguintes medidas:
HABITAT
É imprescindível assegurar a preservação de estensas
áreas de habitat favorável, nomeadamente as zonas de abrigo e
reprodução, através do estabelecimento de áreas protegidas
e/ou incentivando os usos tradicionais do solo. As regiões ocopadas pelo Lince,
indicam um elevado grau de conservação e, pelo seu valor, devem ser
eficientemente protegidas. Certas áreas marginais onde a espécie ocorre
ocasionalmente ou de onde se extinguiu, mas que possuam ainda habitat potencial, podem
funcionar como corredores de ligação entre diferentes grupos populacionais.
A manutenção destas zonas e o seu melhoramento atrvés de
rearborizações com espécies autóctones (respeitando as
manchas de mato e matagal), poderá ser uma medida fundamental para a
diminuição do elevado grau de isolamento em que se encontram as
populações do felídeo, a qual poderá originar problemas
genéticos. Convém aqui referir que o recente incremento de projectos de
(re)florestação (a maioria dependente/s de fundos comunitários),
poderá prejudicar bastante as últimas populações de Lince,
pois alguns deles têm sido ou poderão ser efectuados em áreas
importantes para este felídeo, com a aplicação de espécies
e técnicas inadequadas.
ALIMENTAÇÃO
A densidade de coelho-bravo deve ser incrementada em algumas áreas, com maior
incidência naquelas que testemunharam o declínio drástico do Lince
nas últimas quatro décadas. O maneio do habitat (criaçáo de
grupos de pequenos pastos em zonas de matos velhos; construção de abrigos
artificiais), os repovoamentos (com base científica), a exploraçâo
cinegética racional e o combate à DHV são as medidasds indicadas
para a recuperação do coelho-bravo. Este tipo de acções
poderão ser decisivas para a recuperação de certas
populações, nomeadamente no Algarve(ALG) e Serra da Malcata(MAL).
MORTALIDADE
Aqui toma importância o aumento da vigilância à caça furtiva
em certas áreas e a prevenção de acidentes viários em
pontos críticos. O "controlo de predadores", praticado pela maioria das zonas de Regime Cinegético Especial nos últimos anos, provocou a captura de Linces
em certas zonas, tendo alguns deles sido provávelmente mortos. Esta medida, baseada
na utilização de armadilhas-de-caixa e dirigida ao abate de raposas (mas
que são pouco eficazes para a captura destas) e saca-rabos, parece-nos ser uma
opção de gestão controversa e ineficaza médio/longo prazo.
Tendo em conta a elevada capacidade de dispersão e recolonização das
espécies referidas (capacidade essa verificada empírica e cientificamente).
Por outro lado, seria mais eficaz e ecológicamente correcto promover a
conservação e fomento de super-predadores especialistas (como o Lince, o
bufo-real, a águia de Bonelli e a águia real), os quais "supostamente"
exercem uma acção reguladora sobre as populações de presas
e podem contribuir decisivamente para a redução da abundância de
predadores generalistas. É conhecido o comportamento extremamente territorial que
o Lince Ibérico assume (indivíduos residentes perante certos carnívoros (ex.:
raposa, saca-rabos e geneta), o qual origina baixas densidades e por vezes mortalidade
nestas espécies.
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